
O deputado estadual Lincoln Drumond anunciou, em vídeo de denúncia, que protocolou representação no ?Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica", em Roma, órgão da Igreja Católica responsável pela administração da justiça. Segundo ele, a medida foi tomada diante do que classificou como uma "rede de proteção" que impediria a responsabilização do padre Júlio Lancelotti em casos de denúncias e investigações no Brasil.
Na gravação, Lincoln afirmou que a Arquidiocese de São Paulo chegou a abrir uma nova investigação para apurar denúncia de assédio sexual contra o sacerdote, mas destacou que procedimentos semelhantes já teriam sido arquivados anteriormente. O parlamentar mencionou ainda supostos casos de repasses e doações suspeitas, além de citar um pedido de CPI que, segundo ele, acabou atingindo um vereador denunciante, e não Lancelotti.
O deputado também criticou a participação do padre no curta-metragem São Marino, que será lançado no Dia de Todos os Santos e apresenta Santa Marina em uma narrativa relacionada à militância de gênero. Para Lincoln, a produção deturpa a tradição católica e se soma ao que ele chama de engrenagem da "teologia da libertação", movimento que, de acordo com sua avaliação, mistura ideologia marxista com fé cristã.
Segundo o parlamentar, essa rede de proteção se apoiaria em quatro pilares: proteção socioeclesial por líderes políticos e religiosos com orientação semelhante; financiamento de base por organizações alinhadas; silêncio estratégico e controle da narrativa por parte da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil); e apoio midiático e político para abafar fatos sensíveis. Ele também relacionou recursos da CNBB e da Campanha da Fraternidade a projetos que, em sua visão, serviriam a agendas políticas de esquerda.
Ao final do vídeo, Lincoln Drumond disse que a denúncia levada ao órgão eclesiástico em Roma busca romper o silêncio e exigiu da CNBB e da diocese posicionamentos "claros e sem ambiguidades" sobre os escândalos relatados.
