
As recentes medidas para o mercado de combustíveis anunciadas na última semana pelo Governo Federal foram vistas com cautela pelo presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais). Para Flávio Roscoe, que dirige a entidade desde 2018, a utilização de instrumentos tributários e regulatórios para conter pressões inflacionárias e preservar o abastecimento interno é algo compreensível em um cenário de crise internacional, mas acaba provocando aumento nos custos de energia e transporte, gerando reflexos diretos sobre a atividade econômica.
Na avaliação de Roscoe, iniciativas voltadas à estabilidade do mercado de combustíveis ajudam a proteger setores estratégicos da economia, como transporte e indústria, altamente dependentes do diesel. "Em um cenário de instabilidade global, é legítimo que o governo utilize instrumentos de política econômica para reduzir impactos abruptos sobre a economia doméstica. A previsibilidade no custo dos combustíveis é fundamental para preservar a competitividade da indústria e evitar pressões adicionais sobre a inflação", afirmou.
O dirigente ressaltou, no entanto, que o debate também expõe desafios estruturais relacionados à política econômica e ao sistema tributário brasileiro. "Hoje o governo ainda dispõe de instrumentos tributários que permitem reagir rapidamente a choques externos. Com a implementação da Reforma Tributária do Consumo, essa margem de manobra tende a diminuir, o que exigirá do país o desenvolvimento de novos mecanismos para lidar com momentos de forte instabilidade internacional", acrescentou.
Na visão de Roscoe, o episódio reforçou a importância de políticas públicas que conciliem estabilidade econômica, segurança no abastecimento e responsabilidade fiscal, fatores essenciais para a competitividade da indústria e o crescimento sustentável da economia brasileira.
