O anúncio da possível saída da empresa responsável pelo transporte coletivo urbano de Caratinga expôs, de forma definitiva, uma crise que vinha sendo silenciosamente empurrada pelas sucessivas administrações municipais. Em nota divulgada esta semana, o presidente da Viação Rio Doce, Rinaldo Grossi, afirmou que a empresa opera há anos sob um contrato vencido e sem perspectiva concreta de renovação ou nova licitação em condições consideradas viáveis. O impasse, segundo Grossi, atravessa diferentes governos e já havia sido comunicado desde na gestão anterior. O fim dos serviços está previsto para o próximo dia 16 de junho.

Grossi afirmou que tentou negociar alternativas para reduzir os prejuízos acumulados com a operação do sistema urbano, mas que as conversas não avançaram. O ponto central da divergência está no novo modelo licitatório elaborado pela Prefeitura, baseado no critério de menor preço. Para a Rio Doce, a fórmula torna economicamente inviável a manutenção do serviço, sobretudo diante do aumento dos custos operacionais e da queda da rentabilidade do transporte coletivo no interior.

Mesmo anunciando desinteresse em disputar a futura concorrência pública nos moldes atuais, Grossi informou que a Rio Doce manterá em funcionamento a linha entre o bairro Limoeiro e o aeroporto, além do atendimento ao distrito de Santa Efigênia. Ele também procurou rebater críticas da população sobre supostos lucros acumulados ao longo dos anos. "Aqui nunca deu lucro", declarou, ao afirmar que a permanência da companhia na cidade estaria ligada à própria origem histórica que vem de sua fundação, em 1978, após uma cisão societária da Cia. São Geraldo, hoje extinta, desde a sua compra pela Gontijo, em 2005.

O episódio reacende uma antiga discussão sobre o transporte público em cidades médias mineiras, marcado por contratos prolongados, ausência de concorrência efetiva e tarifas pressionadas por custos crescentes. Enquanto usuários aguardam definições, o risco de descontinuidade parcial do serviço amplia a insegurança de milhares de passageiros que dependem diariamente dos ônibus urbanos. A empresa afirma continuar aberta ao diálogo, mas admite não haver mais condições de operar ?rodando no prejuízo?.