A Escola Estadual João XXIII, uma das mais tradicionais instituições de ensino de Ipatinga, celebra neste sábado (27) seus 60 anos de fundação com uma programação especial aberta à comunidade escolar. As comemorações ocorrerão pela manhã, na sede da escola, localizada na Rua Pedras Bonitas, 100, no bairro Iguaçu, reunindo alunos, ex-alunos, professores, servidores e convidados em apresentações culturais, exposições, homenagens e diversas atividades comemorativas.

A história da escola começou a ser escrita em 1965, graças ao ideal de Silas Augusto da Costa, então presidente do Rotary Club de Ipatinga. Sensibilizados pela necessidade de ampliar o acesso à educação em uma cidade que crescia impulsionada pela industrialização, os rotarianos lideraram a mobilização para a construção da unidade. Funcionários da Usiminas também contribuíram financeiramente para a iniciativa, através de descontos em seus contracheques, tornando possível a concretização do projeto. O terreno foi doado por Jair Gonçalves e sua esposa, dona Altina Olívia da Silva. Um gesto que o tempo transformou em legado. Em março de 1966, o imóvel foi oficialmente incorporado ao patrimônio do Estado de Minas Gerais.

A noite de 28 de dezembro de 1965 permanece como uma dessas datas que merecem moldura. Às 20h30, autoridades, educadores e moradores reuniram-se no Grupo Escolar João Walmick para testemunhar a instalação do então Ginásio Estadual de Ipatinga, depois batizado - no início dos anos 70, como EE João XXIII. Ninguém ali poderia imaginar que aquela cerimônia discreta daria origem a uma instituição que atravessaria gerações e se tornaria referência regional.

Outro importante apoiador da iniciativa foi o padre José Maria de Man, considerado um dos maiores expoentes da educação regional nas décadas de 1960 e 1970. Fundador da Universidade do Trabalho, instituição que deu origem ao ICMG, à PUC Minas no Vale do Aço e, posteriormente, ao Unileste-MG, o religioso defendia a educação como ferramenta de desenvolvimento social e humano, influência que marcou profundamente a formação educacional da região.

Cursos que marcaram gerações

Ao longo de seis décadas, a Escola Estadual João XXIII acompanhou as transformações do ensino brasileiro. Em diferentes períodos, ofereceu cursos que marcaram gerações, como o antigo Curso Primário, o Ginásio, o Científico, o Magistério e a habilitação em Contabilidade, formando profissionais que contribuíram para o desenvolvimento de Ipatinga e de toda a região do Vale do Aço. Pelas suas salas (hoje são 25) passaram e ainda passam futuros médicos, engenheiros, comerciantes, professores, servidores públicos, empresários, jornalistas, trabalhadores da indústria e cidadãos comuns que ajudam a construir a história de Ipatinga e do Vale do Aço.

Atualmente, a escola atende cerca de 1,8 mil estudantes distribuídos nos turnos matutino, vespertino e noturno. São oferecidos o Ensino Fundamental II, do 6º ao 9º ano, e o Ensino Médio regular, mantendo o compromisso histórico com uma educação pública de qualidade, inclusiva e voltada para a formação integral dos alunos.

Celebrando o passado e olhando para o futuro

A trajetória de sucesso da instituição também foi construída por seus gestores. Desde sua fundação, a escola teve 20 diretores, responsáveis por conduzir seu crescimento e modernização. Entre eles, destaca-se a professora Maristela Martins Andrade, que permaneceu por quase 23 anos à frente da unidade (2000-2022), tornando-se a diretora com maior tempo de gestão. Também merece destaque a professora Lúcia Maria Fontes, que exerceu a direção por aproximadamente 12 anos, nas décadas de 80 e 90.

Hoje, a Escola Estadual João XXIII é dirigida pela professora Regilene Andrade Torres, que dá continuidade ao legado construído por gerações de educadores, servidores e estudantes. Ao celebrar seus 60 anos, a instituição reafirma sua missão de formar cidadãos, preservar sua história e continuar sendo um dos mais importantes patrimônios educacionais de Ipatinga e do Vale do Aço.