A queda de uma aeronave da Polícia Militar de Minas Gerais, no final da tarde desta sexta-feira (9), entrou para a história do Aeroporto Regional do Vale do Aço como o segundo acidente com vítimas fatais registrado desde o início das operações ainda na década de 60, durante a construção e os primeiros anos de operação da Usina Intendente Câmara, da Usiminas. O acidente ocorreu próximo à cabeceira norte da pista, entre o córrego da Garrafinha e a Avenida 1, prolongamento da Avenida Carlos Edmundo Landaeta, no Parque Cidade Nova, em Santana do Paraíso. Os três ocupantes morreram.

O acidente mais antigo com mortes de que se tem registro no aeroporto ocorreu em 29 de abril de 1973, quando o aeródromo ainda era parte do município de Mesquita. Naquela tarde - cerca de 16h - um monomotor Cessna 182, prefixo PT-CKR, decolou do terminal, mas não conseguiu ganhar altitude. O piloto, o empresário Márcio Andrade Guerra, um dos pioneiros de Ipatinga, tentou retornar à pista, porém a aeronave caiu de barriga no chão. Os quatro ocupantes morreram: Márcio, conhecido como um dos primeiros nomes da aviação na região, e os passageiros Lalau, Sérgio Antônio Madruga e Magda Leila Queiroga Cabral, que eram noivos.

As duas tragédias também deixaram marcas na memória de Ipatinga. Márcio Andrade Guerra é homenageado com o nome de uma escola municipal no bairro Veneza. Já Edilar Anício Drumond Alves, conhecido como Lalau, dá nome a uma praça no bairro Cariru. Mais de cinco décadas depois do acidente de 1973, a queda desta sexta-feira volta a associar o aeroporto regional a uma tragédia com múltiplas vítimas fatais.

Incidentes anteriores não deixaram vítimas

Além das duas tragédias fatais registradas na história do Aeroporto Regional do Vale do Aço, outros episódios envolvendo aeronaves chamaram a atenção, mas sem mortes ou feridos. Em 28 de junho de 2010, um ATR-42 da TRIP Linhas Aéreas, prefixo PR-TTE, saiu lateralmente da área de manobra durante o pouso e parou a poucos metros da pista. O voo 5510 transportava 47 passageiros e quatro tripulantes, que saíram ilesos. A aeronave sofreu danos e precisou ser retirada para manutenção.

Pouco mais de um ano depois, em novembro de 2011, outro ATR da TRIP se envolveu em um incidente no aeroporto. Durante a decolagem do voo 5390, com destino a Vitória e escala em Governador Valadares, a asa direita atingiu um poste de iluminação. A operação foi interrompida para que a aeronave passasse por manutenção. Nenhum dos 42 passageiros ficou ferido.

Avião que caiu em Vinhedo também fazia parte da história da ligação com São Paulo

Outro episódio que remete à aviação regional ocorreu em 9 de agosto de 2024, quando um ATR 72-500 da Voepass, antiga Passaredo, caiu em Vinhedo, no interior paulista, durante o voo 2283, que fazia a rota entre Cascavel (PR) e o Aeroporto Internacional de Guarulhos. As 62 pessoas a bordo ? 58 passageiros e quatro tripulantes ? morreram. Três dias antes da queda, a mesma aeronave atendeu à região do Vale do Aço, em uma das operações da ligação aérea direta com São Paulo.

Vitimas e investigações

As vítimas desta sexta-feira, 9, foram identificadas como o tenente-coronel Luis Fernando Silvestre e as tenentes Alice dos Santos Almeida e Gabriela Emília Soares Resende, integrantes do Comando de Aviação do Estado (ComAvE) da Polícia Militar. A aeronave, um bimotor turboélice da Beech Aircraft, havia decolado da base aérea da PM no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, e realizava um voo de rechecagem, procedimento técnico destinado a avaliar e confirmar a habilitação e a proficiência operacional do piloto.

As circunstâncias da queda da aeronave da Polícia Militar serão investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Peritos da Polícia Civil e equipes da Aeronáutica também atuam na ocorrência. Em comunicado, a Polícia Militar lamentou as mortes e informou que apresentaria mais detalhes sobre o acidente e os militares em uma coletiva de imprensa.